O SUBMUNDO DA DESINFORMAÇÃO FINANCIADO COM O DINHEIRO PÚBLICO

A engrenagem criminosa que transforma o dinheiro público em combustível para a destruição de reputações e a blindagem político-eleitoral está na mira da Polícia Federal (PF). Uma série de operações deflagradas recentemente em vários estados brasileiros revelou um esquema nefasto: prefeituras e governos estaduais utilizando verbas públicas de publicidade institucional para pagar clandestinamente influenciadores digitais, blogs e veículos de comunicação.

O objetivo? Promover os atuais gestores, criar redes de desinformação e aniquilar sumariamente qualquer adversário político ou cidadão que ouse criticar as administrações públicas. O avanço dessas investigações acende um alerta estrondoso sobre o reflexo dessa prática em Santarém, no oeste do Pará, onde denúncias apontam para um cenário de perseguição orquestrado por cifras milionárias.

A ofensiva da Polícia Federal contra o crime institucionalizado nas redes ganhou força total com a Operação Palanque Digital, que cumpriu 35 mandados de busca e apreensão nas cidades de Macapá (AP), Belém (PA) e Canela (RS). A ação mira uma quadrilha suspeita de operar uma rede digital de desinformação no Amapá. Um dos principais alvos é Antônio Paulo de Oliveira Furlan, ex-prefeito de Macapá e pré-candidato ao governo amapaense.

Segundo a PF, recursos que deveriam ser destinados à comunicação pública de Macapá foram desviados para custear uma milícia digital. O grupo utilizava, inclusive, Inteligência Artificial (IA) para forjar imagens, vídeos e áudios manipulados (deepfakes), além de disseminar conteúdos homofóbicos para atacar desafetos.

Essa operação não é um caso isolado. Pouco antes, a PF deflagrou a Operação Mídia Cativa no interior de São Paulo, cumprindo 13 mandados de busca nas cidades de Jaú, Dois Córregos e Nhandeara. O padrão criminoso se repete: compra de matérias jornalísticas favoráveis à gestão municipal de Jaú e massificação de ataques à oposição através de pagamentos clandestinos a páginas de redes sociais. Em ambos os casos, a PF apura crimes que vão desde delitos eleitorais e abuso de poder econômico até corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Enquanto a Polícia Federal fecha o cerco em outras capitais e interiores, em Santarém a população assiste, perplexa, aos mesmos sintomas dessa doença antidemocrática. No município, desafetos do prefeito Zé Maria Tapajós e críticos da gestão estadual, encabeçada pela atual governadora Hana Ghassan e pelo ex-governador Helder Barbalho, viraram alvos permanentes de um exército de blogs e supostos influenciadores digitais.

A censura velada opera sob uma regra de ferro: é terminantemente proibido tecer críticas ao grupo político governante. Quem ousa quebrar o silêncio é imediatamente bombardeado com campanhas de difamação, fake news, ofensas morais e, em casos extremados, ameaças veladas de morte.

A engrenagem que financia esse “gabinete do ódio” local tem números robustos. Todos os meses, a Prefeitura de Santarém desembolsa a impressionante quantia de R$ 15 milhões, gerenciada pela agência Gama (Gamma Comunicação Ltda), com sede em Belém. A empresa é a detentora do contrato de mídia tanto do município quanto do governo estadual, conforme estabelecido no Contrato Administrativo Nº 011/2026-SEMG, decorrente da Concorrência Nº 001/2026-SEMG.

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